Cookies: o snack perfeito.

cookies

Segunda é dia de receita ❤

Esta foi uma receita super pedida na minha publicação no Instagram; e como pedido segue as dicas para fazer C O O K I E S caseiros e saudáveis: vegan e #glutenfree.

Para quem já me conhece, sabe que sou intolerante ao glúten (aqui eu conto um pouco sobre esse processo) e desde então tenho desenvolvido receitas para matar a gula e comer de maneira saudável sem deixar de obter os nutrientes que preciso. Para quem o é, entende o quanto é difícil passar pela transição e encontrar métodos fáceis para cozer sem a proteína do trigo. Entretanto, hoje em dia há imensa opção de farinhas sem glúten e aglutinadores (como a goma xantana) e receitas fáceis, para a nossa alegria!

Então vamos deixar de conversa. Primeiro, costumo usar duas marcas de farinha sem glúten, a Nacional  e a Freefoods, esta é a que mais gosto. A da Nacional já contém aglutinadores.

Esta receita rende 12 cookies médios, como está na foto acima. Quanto menores melhor, para ser o snack perfeito para o lanche da manhã ou da tarde.

Ingredientes:

100g de farinha sem glúten
100g de farinha de coco
1 colher de chá de goma xantana (caso use farinhas que já contenha este ingrediente, não é necessário utilizar).
1 colher de chá de bicarbonato de sódio
1 colher de chá de fermento em pó
2 colheres de sopa de açúcar de coco (caso não queira usar açúcar, pode substituir por agave, ou 1 colher de pasta de tâmaras ou 1 banana amassada).
1/2 chávena de óleo de coco refinado (pode usar azeite, se preferir, neste caso use 1/4 de azeite).
2 colheres de sopa de farinha de linhaça (equivalente a 1 ovo).
4 colheres de sopa de água
aproximadamente 150ml de água ou leite vegetal
1/2 chávena de chocolate chips.

Preparação:

Antes de mais nada, misture a farinha de linhaça com as 4 colheres de água e reserve por 5 minutos ou até que se transforme em um gel. Misture os ingredientes secos, o açúcar ou o adoçante que preferir, o óleo, a farinha de linhaça já hidratada e vá colocando aos poucos a água/leite até que vire uma massa homogénea e lisa e que se pareça com uma massinha de modelar. Quando atingir este ponto, misture o chocolate chips, que também pode ser uma barra de chocolate em pedaços pequenos.

Coloque no frigorífico por no mínimo 30 minutos. Pré-aqueça o forno à 200 graus, prepare uma forma com papel vegetal ou forma untada com óleo. Faça bolinhas da sua mistura que seja mais ou menos do tamanho de uma bola de ping-pong e com as mãos amasse a bolinha para formar um disco de aproximadamente 1cm (considerando que o fermento vai ajudar a crescer, o ideal é que o disco tenha esta espessura).

Coloque no forno por no máximo 15 minutos ou até que fique dourado. Deixe arrefecer em temperatura ambiente antes de guardá-los. Podes reaproveitar os potes de vidros e armazenar as suas cookies, mas lembre-se de esconder o pote, caso contrário comerás tudo em um instante ❤


Variação delícia: colocar 2 colheres de cacau em pó na sua mistura e utilizar chips de chocolate branco, podes experimentar a marca iChoc que o Miguel vende na Rise Clan, é uma maravilha e baunilhado!

E pronto! Vai já para a cozinha e depois me diz como ficou.
Espero que gostem e se quiserem mais informações sobre opções sem glúten é só mandar mensagem por aqui, aqui ou aqui.

Um beijo e uma cookie :*

Advertisements

A minha história com a cozinha

food-poster-1
A minha história com a cozinha vem de família. Nascida em São Luís do Maranhão e criada em Florianópolis, sempre tive envolvida com a culinária de alguma forma. Não que eu gostasse de cozinhar; mas era diário o meu acesso à cozinha e ao conhecimento que recebia das minhas mães e avó.

Lembro-me da minha querida Vó Helena a cozinhar para mim e ao meu irmão. Como era boa a comida dela! E eu nem era “boa de boca” naquela época. E nós ali ao seu redor, a “roubar” os rebuçados do balcão (ela tinha uma espécie de bar/restaurante), enquanto ela cozinhava. Mas antes disso, quando eu ainda era uma bebé, minha madrinha, tia e segunda mãe colocava-me dentro do forno e eu achava graça (isto ela conta até hoje!), na época em que a família morava em Roraima.

Quando fui morar em Florianópolis, saia da escola e ia para o restaurante da Linda (minha mãe). Passava lá às tardes enquanto ela geria o espaço. Quando adolescente, ajudava vez ou outra na cozinha, no balcão, a servir as pessoas. Aprendi muito a vê-la cozinhar, e em casa era sempre um banquete. Nunca fui fã de cozinhar, pois sempre tive quem o fizesse por mim. Até que eu saí de casa.

Quando eu saí de casa, eu já estava na transição para o vegetarianismo. E, claro, sem as mamãs, tive de me virar. Comecei a criar usando as técnicas das minhas mães, duas ótimas cozinheiras, das minhas tias do Maranhão e da minha querida Avó que tinha paciência para me ensinar alguns truques pois, para ela, mulher tinha de saber cozinhar. Aprendi também com a minha irmã mais nova, a Lícia, que já era vegetariana muito antes de mim.

Foi então que decidi ir para a Irlanda aprender inglês. Ainda mais longe da família, cozinhar era uma questão de sobrevivência, e acabou por ser uma questão de amor.

Foi na Irlanda que eu me tornei vegetariana, a variedade e o preço ajudavam muito na criação dos pratos. E o meu amor pela cozinha veio ainda mais forte quando eu comecei a trabalhar como nanny e tinha de preparar a comida da minha pequena irlandesa. Como eu não tinha permissão da mãe para fazer alimentos 100% vegetarianos, sempre que possível fazia lhe sopinhas de legumes e ela adorava.

Mudei-me para Portugal, tornei-me vegana e casei. Descobri o quanto gosto de cuidar da casa e de cozinhar. Cozinhar, cá em casa, é quase um ritual. Eu e o meu marido fazemos disso o nosso momento depois de um longo dia de trabalho. É na cozinha que a gente troca ideias e fazemos planos para “dominar” o mundo ❤

E foi aqui, em Vialonga, na minha querida cozinha que eu comecei o meu próprio negócio, com o incentivo do Ricardo fizemos a nossa primeira feira – no Veganário – a vender coxinhas. E as coxinhas viraram um hit.

De alguma forma, a culinária nasceu enraizada em mim, só precisava de regar, adubar e nascer. Uma pequenina semente que fez de mim uma cozinheira amadora em busca de ser cada vez melhor. A culinária é mais do que um job, é cuidado. Cozinhar, seja para mim ou para os outros, é um ato de amor. É no alimento que eu coloco toda a minha intenção. E o alimento é o nosso adubo.

____
Foto: The Tomato Tart

 

A pintar telas em abstrato

pequenastitudes

 

Há dias que penso em escrever algo, mas não conseguia definir o tema. Um tema que fizesse algum sentido, que trouxesse alguma informação importante, que fizesse alguma diferença na vida das pessoas. E lembrei-me de quando eu simplesmente escrevia, qualquer coisa era motivo para juntar um bocado de papel e uma caneta e ali “vomitava” palavras, sensações, sentimentos, medos; muitas vezes eu deixei meu coração vazio, entretanto tranquilo.

Esta tarefa me ajudava imenso a lidar e a “domar” a ansiedade. Depois dos 30, parece-me que adquiri certo medo do que as pessoas possam pensar, dos julgamentos que fariam, da energia densa que poderiam transmitir diante das minhas palavras. Senti saudades da Lívia que não temia, que era rebelde (ou achava que era). Da Lívia que transbordava sentimento. E angústias. De ser poesia.

Sinto que a ansiedade aumentou e que já não consigo controlar o emaranhado de pensamentos cheios, ocos, vazios, transbordantes que me invadem a mente e me sussuram: “não andes por aí, não vais conseguir, tu tens medo, tu não és capaz”. Com receio de pintar minhas fraquezas em telas, entrego-me à ansiedade. Só quem vive com ela sabe o quanto isto pode ser mais forte do que nós.

Mas cá estou, a pintar um esboço. A escancarar que não posso ter medo de mim, e não posso permitir que a minha própria mente me derrube. E vou escrever, sem medo. Vou escrever pois isto me traz de volta à minha essência. Escrever me carrega para o aqui e agora. E já é tão bom fazê-lo. Sinto-me mais leve e um pouco mais inteira. Escrever cura. Experimente!

E para não perder o costume: GO VEGAN. E ame, ame a si mesm@. Ame e dê valor a quem está do teu lado, a quem torce por ti. Há muitas coisas importantes na nossa vida, mas há prioridades e certamente não são coisas materiais.

Beijo.

 

Das restrições alimentares que não escolhi

DSC_7092

Quem me conhece sabe que sou vegetariana há algum tempo. Recentemente decidi me tornar vegan (ainda em processo…). Ser vegan não é só uma questão de alimentação, é um estilo de vida. É tirar do dia a dia tudo o que for derivado de animais e/ou testado em animais. Uma das melhores escolhas que fiz por mim.

Entretanto, descobri que tenho uma grande probabilidade de ser intolerante ao glúten. WTF! “O que eu vou comer agora?” – pensei. Iniciei a dieta há mais ou menos 1 mês, juntamente com restrições aos derivados de lactose que, sempre soube, tenho alguma intolerância. E sorte a minha que surgiu na minha vida uma Nutricionista muito fofa que, por acaso, é aí de Floripa – e tem me ajudado muito neste processo!

A parte mais difícil de restringir a lactose é o queijo! E a pizza sem queijo que graça tem, não é?! O que me ajudou MUITO quanto ao queijo é que eu não podia mais me deixar sofrer após comer queijo. Queijo é bom, queijo é muito bom! Por isso, sofrer é opcional. E eu optei por parar de sofrer. Sorte que há muita gente boa por aí produzindo queijos veganos, e é super easy fazer em casa ❤

Mas vamos lá, voltemos ao glúten! Tudo leva glúten, pois tudo leva alguma porção de trigo. E o SEITAN? Ahhhhh, o seitan – já não posso mais comer SEITAN 😦 Mas para além do seitan, tem também aquele pãozinho delícia e fofo e quentinho, que vai muito bem com um café com leite (vegetal). Não! Nada disso Lívia, você tem restrições alimentares. Como isto tudo começou? Ainda não sei. Mas sei que passado 1 mês eu me sinto BEM melhor do que antes. Sem inchaços, sem dor de estômago, sem gases, sem a constante distensão do músculo do cólon (o que sempre me apavora).

Alimentação é coisa séria, e deve ser tratada como medicina!

O que salva é que há marcas muito boas a produzir pães, massas e pizzas sem glúten. E há uma enorme porção de farinhas sem glúten que substitui maravilhosamente a farinha de trigo. Entre elas: a farinha de arroz, milho, aveia, amêndoas. E a cada dia aparecem novas formas para fazer a vida dos intolerantes easy! Quem me conhece sabe que a cozinha é o meu laboratório e graças às facilidades da “vida intolerante” posso comer pão, pizza, massa, bolinhos, panquecas ❤ e outras coisitas mais – e ser feliz! Só falta os restaurantes se adequarem neste processo. Ser intolerante não é um estilo de vida, é uma questão de saúde e bem-estar.

Panquecas vegans e glutenfree

Uma das receitas mais fofas que gosto para o café da manhã é a panqueca. Simples e gostoso de fazer. Anota aí:

1/2 xícara de flocos finos de aveia (já há no mercado a opção sem glúten)
1/4 xícara de farinha sem glúten (eu uso de arroz ou milho)
1 colher (sopa) de chia
1 banana madura média
1 pitada de sal
1/2 xícara de água

Bate tudo no liquidificador ou com a varinha mágica.

Espalhe um fio de azeite em uma frigideira antiaderente, fogo médio.
Com uma concha média, espalhe a massa pela frigideira, quanto mais fina a panqueca melhor! Tampe e deixe dourar, depois vire para dourar o outro lado. E está pronto! Cá em casa o topping preferido é a manteiga de amendoim, mas com uma geleia também vai bem ❤

No fundo eu sei que essas restrições alimentares foram – de alguma forma – criadas por mim mesma, em um âmbito que não é físico. Uma forma de me trazer de volta ao eixo. Tipo: ACORDA, LÍVIA! Nosso corpo diz muito sobre nós e nos dá muitas direções. Não, não está a ser fácil, mas sorte a minha em ter pessoas que compreendem esse processo e um super marido que me acompanha nesta caminhada. Mais receitas #glutenfree em breve.

Um beijo e um queijo (vegan).

 

 

Dos tempos da mocidade…

DSC_6234

Então é essa a sensação de perder alguém… Uma dor aguda que movimenta uma energia nunca antes sentida. Uma sensação de solidão profunda, como se um pedaço seu tivesse sido arrancado à força. E no meio disso tudo, ter de buscar lá no fundo algum equilíbrio.

O equilíbrio que fará com que todas as lembranças boas venham à superfície da dor. Nossa Heleninha tinha mais alegria do que tristeza. Tinha sempre uma piada e uma gargalhada gostosa, especialmente quando ela tinha crises de riso por coisas que só ela achava engraçado. E a gente ria junto por que aquela risada era contagiante. Não se calava um segundo! Tinha sempre uma história para contar. “Dos tempos da mocidade…”.

Casou-se cedo, fugida de casa. Ela conta que casou duas vezes com o vô Manoel. É natural do Ceará, mas morou em muitos lugares. Entretanto foi em Pindaré Mirim, interior do Maranhão, que ela formou sua família. Teve 5 filhos, dos quais 1 faleceu ainda bebê e a doce tia Lucimar que também partiu há alguns bons anos, eu ainda era uma criança e até então não entendia a dor do luto. Uma das filhas, a Maria Fátima (acho que nunca conheci), foi adotada. A Lucenir, minha doce Mãe-Tia-Madrinha Linda. E o caçula, Luranyr, meu querido Pai.

Ficou viúva muito cedo, tinha apenas 42 (ou 43), ela nunca soube dizer exatamente. E desde então, criou os filhos com tudo o que ela tinha: uma capacidade de comunicação e negociação incríveis, e muita vontade! Teve um bar à beira da estrada onde fez amigos e inimigos. Fez festa, muita festa! Adorava uma cervejinha gelada. Eu tinha 6/7 anos quando fui morar com ela, e a lembro sempre com um paninho nos ombros, a mania de ranger as gengivas e a panela sempre no fogão e alguém sempre no balcão. E especialmente quando ela alimentava a mim e ao meu irmão mais novo: fazia um prato só para os dois e usava as próprias mãos para nos alimentar. Era tão bom!

Quando foi morar em Florianópolis, descobriu um mundo novo. Entrou para os grupos de idosos, viajou por quase toda a Santa Catarina. Todo final de semana ia aos bailes. Adorava o Flamenguinho e tinha muitos admiradores. Ela era (é) linda! Sempre teve um brilho nos olhos, blush nas bochechas, batom nos lábios, brincos e acessórios. Enxergava as coisas pelo lado do bem. Apegada à vida, queria vivê-la ao máximo. Nunca se importou com as nossas reclamações sobre o que ela comia. Ela dizia: “se for pra morrer, é pra morrer feliz…”. Mesmo com todas as recomendações médicas, não pestanejava quando era para tomar leite condensado direto da lata. Ou um bolinho de chocolate, “só um pedacinho , pequena”. Era absurdamente teimosa, e com a idade essa “qualidade” só ficava mais intensa. Era briguenta, capricorniana difícil de lidar. Mas doce, muito doce.

Casou muitos dos netos, em 2016 casou o meu irmão mais velho e eu. Feliz da gente poder comemorar aquele momento com ela! Era doida pelos bisnetos ❤ Desculpa não ter te dado mais uns poucos deles, minha querida Vó. Eles certamente saberão da incrível Bisa…

Agora só nos resta guardar a sua essência. Seu cheiro, sua risada. Seu lado bom. Ela viveu, talvez não do jeito que queria, mas com aquilo que Deus concedeu a ela. Tinha fé, muita fé. E sempre agradecia ao Deus por tudo o que tinha. Agradecemos todas as orações que fez por nós, Vó. Tudo o que ela sempre quis era intangível: a paz, a harmonia  e a amizade.

Desculpa por não ter te dado um último abraço, Vó. Sinta-se abraçada de onde quer que estejas.

Adeus, Heleninha. Até alguma dia ❤

O que será o amanhã?

equilibrium

A que se resume os dias? Por que criamos tantas expectativas quase que – involuntárias – sobre as coisas e pessoas e lugares e perspectivas? Alimentamos nossa alma de sentimentos contraditórios, correntes de ar que nos sopram a cara com a verdade, e fechamos os olhos quase que – voluntariamente. Sofremos. Mastigamos a alma já sem qualquer sabor.

Medo. Medo do que vem amanhã. A vontade de não mais estar. Partir, o desejo de ficar. Amar. ah!, o amor. Amar quase que – incondicionalmente – o que se é. Dizer, falar é fácil. Sentir, só os que sentem são capazes de se entregar ao abismo construído quase que – meticulosamente. Somos humanos. Erramos. Desunidos. Sonhamos. Sonha-se o dia em que o caminho será feito de flores.

O bem? O bem vem de dentro. Lá do além do abismo. Paz. A paz existe? A guerra é interna. Lembro-me de quando eu quis encontrar o caminho do meio… Nunca soube meditar, tampouco tenho paciência. Mas encontrei algum equilíbrio ao olhar para alma, além do cultuar da matéria. Matéria frágil e corruptível.

Onde estou? Aonde eu vou? Nunca sabemos o que virá amanhã. Ou daqui a cinco minutos, segundos. Instantes guardados nas caixas da memória. Instantes puros e incertos. Dias de desequilíbrio, dias de certeza. Dias de amor. Ódio. Sou quem sou por apenas ser, ou sou o resultado de outros tantos seres?

A felicidade só depende de quem a carrega. Cada um de nós carrega um grão de semente. Semeia-o!, mas sem expectativas. E os dias vão desabrochar as flores.

mOMentos.

Interconectividade: uma crônica sobre o equilíbrio

Universo

Independente do tempo, há sempre uma pergunta que surge para lembrar o quanto o equilíbrio é necessário. Quanto mais se caminha, mais a questão: “qual é a minha missão?” se faz presente. Há um desequilíbrio inicial que desconstrói um passado recente, um incômodo constante que, ao olhar para trás, desfoca aquilo que era – até então – verdadeiro.

Sempre associei aquela pergunta ao conhecimento do “eu”. O (sub) consciente que de alguma maneira constrói quem se é. No entanto, ‘o que se é’ será a ‘missão’? Existe um emaranhado dentro de cada um dos seres, humanos ou não. O eu não é único. Não somos únicos. Somos a junção das vidas que vivemos, do que e com quem compartilhamos, do que comemos, do que sonhamos, do que produzimos e construímos. Somos um conjunto de chakras que depende do equilíbrio de fora para o equilíbrio de dentro.

A cura está de dentro para fora, mas também de fora para dentro. Somos espelhos. Reflexo. Somos a água da nascente que percorre um longo e tortuoso caminho para chegar ao mar e encontrar-se com milhões de outros seres, e rios, interconectados. Com isto, qual a missão que cada um tem neste Planeta? O que é preciso ser feito para se alcançar a felicidade?

Acredito que o ponto de partida esteja na liberdade que damos a nós mesmos de nos permitir. A liberdade de ser o que se é sem interferir na natureza. A permissão de se conectar com outros seres e entender que o que vemos é o nosso reflexo. Permitir-se compreender que não somos únicos e somos diferentes. E são essas as diferenças que constroem a tal “sonhada” missão.

A missão não é nada que não se possa fazer. A missão não é desapegar do que se tem, mas equilibrar o que se é. Talvez não tenhamos feito tudo aquilo que sonhamos, desejamos ou planejamos, mas se até aqui – momento presente – chegamos, com um aconchego no coração; ou mesmo com a pergunta que desequilibra, é sinal que estamos no caminho. Ou precisamos mudar a rota.

Uma missão não sobrevive sem valores, tampouco sem uma visão de futuro. Somos amanhã o que fizermos hoje. Nada disso sobrevive sem considerar o Universo. Isto é o equilíbrio.

O mar e a cura

o mar

 

O mar que traz respostas aos avessos
Sussurra em ondas os seus versos,
Os nós entre os laços
Que desaguei na maré lunar

Perdida nos sonetos
Deixei as perguntas a navegar,
Envolvida pelo sopro do horizonte
Acolhi meu destino e me pus a caminhar

Pedras, areias e pássaros
Evaporaram os devaneios tolos
Dissolvi-me e deixei o som embalar

De tudo o que vivi e viverei
Sei que tu serás o abrigo.
Para as minhas curas, encontrar-me-ei no mar.

Não quero falar de política, quero falar de amor

babygirl
Quando eu decidi ser Au Pair eu me desesperei. Não, eu não tinha experiência com crianças pequenas. Nunca quis ser mãe, pois eu era egoísta para ceder minha liberdade. No entanto, a Jessica apareceu em meu caminho.

Tudo aconteceu muito rápido e não tinha a intenção de acontecer. A minha mudança de Dublin para o interior da Irlanda foi decidida de um dia para o outro, sem nem mesmo conhecer a família. Quem me recebeu foi a nanny a quem eu ia substituir, e a Jessica, uma bolinha de 1 ano de idade, olhos grandes e toda desconfiada.

Passado alguns dias, ela já estava um pouco mais à vontade comigo. E eu ainda estava bem nervosa. É uma responsabilidade GIGANTE cuidar de uma criança que não é sua, e ela era só um bebê. E sabe qual foi a minha tática para a nossa relação dar certo? AMOR.

Muitas garotas acabam por ser Au Pair quando partem para outro país, e muitas o aceitam pelo salário (que não é nada grande). Enquanto muitas se apaixonam pela profissão. Acreditem, há casos em que as nannys dão mais amor para as crianças do que os próprios pais. Este não foi o meu caso. A Jessica sempre foi muito amada, e eu – em contrapartida – fui muito amada também.

Eu não sou mãe, mas eu mimei, dei colo, eu me coloquei no lugar dela e senti cada um dos seus processos. Talvez a maioria não se lembre da experiência de ser um bebê; mas a forma como passamos pelo processo da primeira infância conduz em quem a gente se transforma. E eu quis que a Jessica se transformasse em uma menina doce, gentil e forte. Era eu quem passava a maior parte do tempo com ela, e ela precisava de alguém em quem confiar, e não de alguém que fosse Au Pair por obrigação.

Eu amei a Jessica como se ela fosse minha; e eu até brinco que ela é, sim, um pedaço de mim. Enquanto ela aprendia as primeiras palavras, o certo e o errado, em como suportar as dores dos primeiros dentinhos, enquanto ela aprendia a confiar em mim; eu aprendia a ser quem sou e a amar incondicionalmente.

Eu tive uma das melhores experiências da minha vida. Perdi o medo de ser mãe, mesmo em um mundo contaminado por pessoas “doentes” de caráter. Mas hoje não quero falar de política, quero falar de amor. Amar é um dos primeiros ensinamentos que devemos dar às nossas crianças. O amor não machuca, não ensina a odiar, não chama a atenção na frente dos outros, não rotula. O amor conversa e, principalmente, escuta. O amor dá o tanto de colo quanto a criança precisa. O amor cede. O amor entende.

Eu sempre conversei muito com a Jessica. Com quase 2 anos ela já tinha um vocabulário extenso, concordância verbal perfeita e contava até 10. Esses dias eu recebi um vídeo dela cantando o alfabeto e eu só tive certeza da incrível menina e mulher que ela vai ser tornar. Além de ser – a minha eterna bebê – carinhosa e cheia de amor.

Fico imensamente feliz por ter feito parte de pouco mais de 365 dias da sua vida, e de uma família incrível. Sou eternamente grata por ela ter me ensinado a ser mãe… E olha que eu ainda tenho muito para aprender.

_
Lívia Brito.

Administrando o caos do ‘eu’: 2 anos fora de casa

 

Dublin_

Em 7 de março de 2014 eu partia do Brasil para o desconhecido. Não sei definir o que eu senti quando o avião decolou ainda em Floripa rumo à São Paulo, onde naquele mesmo dia eu perdi o avião para a França, que me levaria à Irlanda. Eu lembro de só ter pensado no pior, já que a minha aventura tinha começado com uma grande confusão.

No fim, deu tudo certo. Pisei em Dublin dois dias depois da minha partida. Aquele final de semana foi o mais longo, complexo e perfeito na sua total imperfeição. O dia era frio e cinzento, mas meus olhos brilhavam e tudo parecia tão colorido… Se eu não falava NADA de inglês, junto com a minha excitação, eu não falava nem um “Hi”. Mas me virei nos 30 para entender o que o motorista falava.

Não! Os primeiros meses não foram fáceis. Eu odiei Dublin, eu odiei a língua, eu odiei não ter alguém para abraçar nos dias mais intensos de solidão. Tudo o que eu queria era ir embora ao final dos 6 meses, quando eu aceitaria que não era capaz de aprender inglês, e então voltaria para onde me sentia segura.

Maldita zona de conforto!

Até que certo dia percebi que o problema não era o idioma ou Dublin, mas o medo. Tudo ainda era desconhecido e eu tive medo de aceitar as mudanças. Eu precisa administrar isto. E então eu fiquei sem dinheiro… Sorte minha que pude contar com a minha família, e por ter conhecido minha best friend, Kátia Mosquem. Ajudamos uma à outra da forma que podíamos, fomos movimento na solidão. Fomos (e somos) irmãs. No momento em que eu estava vendendo o almoço para comer a janta; e procurar trabalho no comércio já não era foco após 2 meses procurando – e NADA porque meu inglês era shit, decidi ser aupair.

Para quem não queria ter filhos, ser aupair era um pesadelo. Mas daí que eu encontrei uma menina chamada Jessica, ela tinha 1 aninho quando eu abri os braços para àquela pessoinha. E a família dela me acolheu com todo o amor do mundo. E é como eu digo: foi a melhor experiência da minha vida. Eu fui completamente feliz – e exausta – naqueles pouco mais de 365 dias junto deles, junto dela. A Deusa sabe a saudade que eu sinto da minha pequenina.

Aqui estou outra vez fugindo de falar sobre mim. Apesar de que, pensando bem, as experiências que tive na Irlanda e nos lugares para onde pude viajar construíram uma nova Lívia. Uma Lívia que não desistiu e que aprendeu a conviver com ela mesma. (É mais fácil falar em terceira pessoa). Uma Lívia que conseguiu trazer o medo para junto de si. Aproximadamente 2 anos depois eu concluia meu segundo curso de Inglês e no certificado estampado: Advanced Level ❤ A sensação foi de dever cumprido.

Eu senti que o ciclo já estava completo e que ficar na Irlanda já não era o objetivo. Podia ir para algum lugar, e também cogitei voltar ao Brasil. Tive medo. No fundo, eu considerei ficar na Ilha Esmeralda por mais um tempo, juntar uma grana e fazer meu mochilão. Era, até então, a decisão mais segura.

Entretanto, quem disse que a vida tem de ser estável? Existia a hipótese de me mudar para Portugal e tentar a vida, já que a situação de trabalho, estudos etc, é facilitada para os brasileiros (só em sonho! haha). E eu amei Portugal desde a primeira vez que visitei. Entre as minhas dúvidas, surgiu um português para bagunçar tudo. E de onde eu mais fugia, eu me encontrei: no amor.

Pois, cá estou em Portugal. Ou melhor, Lisboa. Para ser mais exata: Vialonga; uma terra que fica a mais ou menos 20 minutos de Lisboa de carro, 40 minutos de transporte. Tudo funciona. O sol brilha mais do que brilha na Irlanda. Às vezes faz calor em pleno inverno. Muito daqui lembra o Brasil (ou seria o Brasil que lembra Portugal?). Apesar da dificuldade – que está para me deixar louca – para conseguir trabalho e o tão sonhado visto, estou onde o meu coração está.

Para quem quis voltar para o berço nos primeiros meses de Irlanda, estar em Portugal agora é o resultado de várias quebras de barreiras, da administração rigorosa do meu caos (continua…). A perda do medo de me permitir.

Morro de saudades do meu país, dos meus amigos, da minha FAMÍLIA. E estar todo esse tempo fora de casa só me faz perceber o quanto eu amo o Brasil, o quanto eu amo o meu povo. E de tudo o que eu me permiti aprender, uma delas é: ser quem sou.

A vida é tão incerta e tão boa ao mesmo tempo. Quem é que sabe onde estaremos daqui outros 2 anos, não é mesmo?

_

Lívia Brito.